Mapa para a ilha (Carlos Walker) 29.12.2011
Nela nascem vários Mitos e outros para ela se refugiam. A ilha é um resto de totem geográfico. Um coral vivo, em carne viva, humana, exposta às intempéries.
A ilha recobre-se de areais, vegetações,palmeiras, lagoas, cavernas e montanhas.
São tantas entre os biombos moduláveis do tempo. Como a Síria, vinda da palavra Sol, em sânscrito Suriâ, Ilha-polar que o poeta Homero citava muitas vezes. Assim como as ilhas hiperbóreas, as ilhas gregas ou a Ilha Aztlan, ilha-continente dos toltecas, que chamamos lendariamente Atlântida.
A ilha é uma nave que se perdeu a caminho do céu e desviando-se caiu no mar da Terra.
Nas tradições pré-católicas e muçulmanas, a ilha é o Paraíso das bíblias descrevendo signos dos reinos da natureza. A ilha é uma incrustração fenomênica.
Nuvens pousam sobre a ilha, pássaros surgem e somem na cerração que a corta ao meio e a sua outra parte levita entre fumaças estranhas.
Nos mitos vixinuítas da Índia aparecem as Ilhas Brancas assim como nos mitos celtas encontramos místicas e bruxuleantes, as Ilhas Verdes.
A ilha sou eu. Um homem ilhado. Um astronauta, que viajando em direção ao Sol extasia-se olhando para baixo e, em prantos decide retornar ao seu centro já quase naufragado.
A ilha é uma capela em que pescadores santificam dores orando e repescando seres saídos de sereias.
A ilha é um peixe que assobia um segredo. O último segredo, que só aos náufragos desembocados em suas praias lhes é revelado.
Mil olhos de ilhas, de todas as idades na escalada zodiacal de milhões de Eras elípticas que o pião do sol vai puxando para outros sistemas planetários.
Desde seu nascimento,o panteão-mor dos mitos, Zeus seta suas aventuras a todas direções cardeais por inúmeras ilhas.
A ilha é o momento do clarão da morte. A ilha abre e fecha como os sexos opostos copulam como num oráculo.Dentro-fora-automático.
A ilha é uma criança que nasce e outra que morre.
Na pista do horizonte da ilha, a lua gira em vórtices e escapa da pista. Durante a noite, a lua seqüestra a alma da ilha e a leva num sonho. Para onde?
Alguém assistiu do cais distante a ilha voar como um OVNI.
A ilha é uma encruzilhada de cirandas onde pessoas perdidas se reencontram.
O Japão é uma ilha-país. Como a Grã-Bretanha, ilha-feiticeira em que magos-druídas entre menires e carvalhos iniciavam seus aprendizes.
As palavras nascem das ilhas, de larvas a borboletas saídas de minérios e só depois alastram-se para outras geografias até descolarem-se como fios de metal em direção às galáxias; de lá abrem-se em estrelas !
Ilhas são pontos quase metafísicos nascidos do absurdo absoluto de um lapso da consciência física. Como Creta, como Rodhes, como Lesbos, como Naxos ou Ortígia ,a ilha-flutuante ou Delos ou a Ilha de Páscoa ou então Lost, a Ilha da modernidade destes nossos tempos inócuos, video-ilha-apocalíptica-ridícula.
Mas a ilha é invisível como os discos dos chackas - subindo e girando - no elevador da coluna vertebral humana.
Como um satélite peninsular de meteorito instalado por delegações planetárias.
Pode ser a Ilha de Andrômeda, que o calor do dia e o frio da noite são extremos insuportáveis. Ou da vergonha das pérfidas piratarias como as Malvinas. Ou a ilha de Alcatraz com sua catraca moral quebrada.
Mas também a Ilha dos Bem aventurados onde reside o Palácio Branco recoberto por jóias faiscantes. Ou então a terrível Ilha-da-Maldição-Capitalista com seu Palácio-de-Torres cinza como o World Trade Center.
A ilha não deixará grandes rastros e viajará para o mais oculto dos mundos subterrâneos. Em seu lugar talvez sobrará uma garrafa fechada boiando à superfície, com uma carta a bordo.
A minha carta impermeável indo num traço ínfimo enquanto todo o mar do Universo, à sua volta, se revolta em labaredas líquidas.









